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Agradecemos o envio das contribuições à nossa revisão institucional. O Natal Voluntários decidiu repensar sua missão e O processo de ouvidoria foi até 31 de julho de 2008.
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Em abril de 2000, quando nossa Associação foi instituída, tinha como missão “ajudar pessoas, organizações e empresas a contribuírem efetivamente para a melhoria da qualidade de vida no Rio Grande do Norte, fortalecendo e promovendo a ação voluntária e o investimento social privado”. Passamos três anos firmemente voltados para o fortalecimento do que chamamos de voluntariado institucional, aquele praticado por pessoas no âmbito das organizações sociais. Ao mesmo tempo, promovíamos uma série de palestras para pessoas que queriam atuar como voluntárias e diversas capacitações visando fortalecer a gestão social das organizações do terceiro setor, bem como integrá-las em rede. A partir de 2004 iniciamos um processo de transição, estimulando fortemente o voluntariado comunitário por meio do programa TEMPO, que tem o objetivo de mostrar oportunidades de ações concretas na comunidade. O programa TEMPO foi premiado mundialmente e sua metodologia disseminada no Brasil e no exterior. Em função desse programa, Natal passou a ter o título de “Cidade com Coração”, inédito no Brasil, conferido pelas Nações Unidas e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento. Ao mesmo tempo, prosseguíamos com as palestras sobre voluntariado, os fóruns de responsabilidade social e as capacitações em gestão, agora também voltadas para a iniciativa privada que investe no campo social. Em 2005, o programa TEMPO cada vez mais passou a incorporar a premissa de que “o público se constrói a partir da sociedade civil” (Bernardo Toro). Com a campanha Livre Acesso às Calçadas, por exemplo, a sociedade de Natal tomou mais consciência de sua responsabilidade pela promoção da acessibilidade e o poder público se tornou mais rigoroso no controle dessas leis, especialmente para as novas construções. Iniciou-se também um movimento de sensibilização dos motoristas acerca dos estacionamentos indevidos no passeio público e nas vagas especiais para pessoas com deficiência. Numa parceria com o Ministério Público, trabalhamos a conscientização das famílias para a importância de uma maior e mais efetiva participação na educação de seus filhos por meio dos conselhos escolares. Entre 2005 e 2007, desenvolvemos e implementamos o programa “Levar os Objetivos do Milênio para a Comunidade”, em parceria com o UNV – Programa de Voluntários das Nações Unidas, que tinha como objetivo mobilizar os diversos segmentos da sociedade para ações comunitárias nas oito temáticas dos ODMs. Uma ampla campanha de mobilização foi veiculada de forma voluntária em meios de comunicação nacionais e locais, bem como pelos canais de comunicação de diversas empresas que se engajaram em disseminar a idéia entre seus públicos de relacionamento. Também propusemos ações e desenvolvemos metodologias a serem seguidas por diferentes públicos – pessoas, empresas, universitários e jovens –, que atuaram em comunidades escolhidas por eles próprios, desenvolvendo ações em prol de um dos Objetivos do Milênio. Como resultado, os projetos-pilotos “Empresa, Universitário e Jovem do Milênio” estão convertidos em metodologias para adaptação, inspiração e reedição a partir de iniciativas independentes, seguindo a filosofia do Natal Voluntários de que todos podem participar, se apropriando de sua realidade e agindo em benefício dela. Em 2006, o programa TEMPO ampliou a abrangência de sua atuação para praticamente todo o Estado do Rio Grande do Norte. E podemos constatar, com a experiência da campanha em prol do Teste do Pezinho, que o voluntariado comunitário seguramente estava vinculado ao controle social para o alcance de mudanças transformadoras. Na ocasião, 35% dos municípios do RN não estavam oferecendo o Teste do Pezinho. Após uma iniciativa conjunta, com um número significativo de parcerias articuladas em todos os segmentos da sociedade, o índice de municípios fora do Programa Nacional de Triagem Neonatal foi reduzido para 8%. Em 2007, com o aprendizado do voluntariado comunitário, instigamos a sociedade civil para o controle social e a fiscalização dos representantes do poder público. Realizamos uma ampla campanha em prol da Água Potável em nossa cidade, um abaixo-assinado em parceria com o Ministério Público, vinculando fortemente voluntariado comunitário e controle social. O estímulo ao controle social deu-se ainda com a campanha De Olhos Bem Abertos por ocasião da votação do Plano Diretor de Natal na Câmara de Vereadores. No mesmo ano, lançávamos a rede on-line de participação “Cidade com Coração” para prosseguir com a facilitação do voluntariado institucional, que vimos fazendo desde nossa fundação com palestras, orientações e disponibilizando contatos. Após quatro anos atuando como Agência Nacional de Coordenação do Dia Global do Voluntariado Jovem no Brasil, conseguimos em 2007, num esforço conjunto com a Rede Nacional de Comitês de Mobilização, atingir jovens voluntários de todos os Estados do Brasil, praticando ações voluntárias e disseminando essa atitude. Alcançamos a marca de 3º país do mundo em número de voluntários mobilizados. Em 2008, mais uma vez empreendemos esforços para a realização do Dia Global, mobilizando mais de 100 mil voluntários no Brasil. Uma das conquistas desse ano foi o engajamento dos Centros de Voluntariado do Brasil para promoção anual do Dia Global em suas áreas de atuação a partir de 2009. Reflexão e aprendizado Depois de oito anos de atuação com fases distintas, porém coerentes com o propósito de mobilização em prol do interesse social e público por meio da articulação de parcerias, decidimos parar para refletir sobre o nosso aprendizado em relação ao voluntariado e à mobilização social. Apesar de vários casos de sucesso e do reconhecimento internacional que o Natal Voluntários conquistou, muito precisa ser repensado sobre a função de organizações dessa natureza e a forma de relacionamento com todos os segmentos da sociedade. Nesse período aprendemos, por exemplo, que essa nossa trajetória nos aproxima mais do que entendemos como controle social e a participação quotidiana de cada indivíduo nos rumos dos espaços coletivos, buscando-se transformações e resultados que beneficiarão a sociedade de forma mais contínua e sustentável. Ao mesmo tempo, essa experiência nos distancia do chamado voluntariado institucional, que se reporta ao atendimento nas organizações sociais. Assim, buscaremos pensar um novo direcionamento para essa organização, com revisão da missão e da visão, e até mesmo uma eventual mudança no nome da organização, de modo a expressar de forma mais acurada o nosso pensamento e a nossa prática organizacional. Atenciosamente, Natal Voluntários
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