Relatório do 3º TEMPO

Combate ao Caramujo-Gigante-Africano

Parnamirim - 5 Junho 2004


Programa de Mutirões na Comunidade

 
 
Como foi organizado o 3º Tempo

Identificando uma necessidade na comunidade

Diante da constatação da presença e proliferação do caramujo-gigante-africano na região de Natal, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) que desenvolve um Programa para erradicação desse molusco em parceria com a Prefeitura Municipal de Parnamirim, portanto já conhecendo as dificuldades no combate à praga e a conseqüência do seu descaso, procurou o Natal Voluntários para sugerir um mutirão de conscientização e recolhimento do caramujo em Parnamirim – onde o Programa é considerado modelo e conta com a participação dos moradores, podendo servir de exemplo para as autoridades de Natal e outros municípios.

A Achatina fulica (nome científico do caramujo-gigante-africano) é uma espécie exótica que foi trazida do continente africano com a finalidade de estabelecer uma cultura de criação do molusco no Rio Grande do Norte, visando inclusive o mercado exterior. A empresa Millennium, que iniciou a cultura do molusco no Estado, comercializou dezenas de matrizes do caramujo para pequenos produtores prometendo readquirir os caramujos quando estivessem no tamanho ideal. Não conseguindo atingir o tamanho definido pela empresa e com o alto custo e o trabalho na criação dos caramujos, alguns produtores resolveram se desfazer do molusco abandonado suas criações.

Hermafrodita, a Achatina Fulica põe em média 500 ovos por ano e, no Rio Grande do Norte, tem levado apenas 4 meses para atingir a maturidade sexual, pois encontra no clima litorâneo as condições ideais para proliferar. Espécie voraz, alimenta-se de 41 tipos de culturas agrícolas como mandioca, feijão, entre outros. Alimenta-se sobre árvores e escala edificações e muros.

O caramujo-gigante-africano vem se constituindo como praga agrícola em mais de 23 Estados brasileiros e encontrou, também no Rio Grande do Norte, condições ideais para sua proliferação.

Segundo Alvamar de Queiroz, Coordenador do Núcleo de Educação Ambiental do IBAMA, o caramujo-gigante-africano “além de invadir plantações, sobretudo em culturas agrícolas de subsistência, cultivadas pelos pequenos agricultores, hospeda o verme causador da angiostrongilíase abdominal, doença que pode resultar em óbito. No entanto, desconheço qualquer medida de prevenção, pelos órgãos competentes de Natal, para conter a proliferação da praga”.


A contaminação do verme causador da angiostrongilíase abdominal se dá pelo consumo direto do caramujo, pelo consumo de vegetais contaminados e pela manipulação dos caramujos vivos, pois os vermes podem ser encontrados na secreção produzida pelo animal.

De acordo com a avaliação técnica do IBAMA, o caramujo-gigante-africano é resistente à seca e ao frio e sobrevive o ano todo. Seu tamanho pode atingir 15 cm de comprimento por 8 cm de largura, sendo encontrado em restos de construção (metralhas, tijolos, madeira), restos de poda de quintais e jardins, terrenos baldios e locais onde exista lixo orgânico em decomposição.

Pensando em aprender com o exemplo do povo de Parnamirim e começar a agir cedo, formando uma corrente de controle do caramujo e visando cobrar uma política clara dos órgãos governamentais de Natal para a erradicação do molusco, o Natal Voluntários decidiu-se pelo combate ao caramujo-gigante-africano como tema para o 3º Tempo.

Assim, o Natal Voluntários resolveu postergar o projeto de limpeza dos mangues, que seria tema do 3º Tempo, para combater o caramujo-gigante-africano e conscientizar a população, sobretudo as autoridades de Natal, para que sejam implementados Programas para conter a proliferação da espécie que já se estendia por vários pontos da cidade. Cidade Satélite, Capim Macio, Nova Parnamirim, Ponta Negra, Alecrim, Brasil Novo, Nossa Senhora da Apresentação, Nova Natal e Lagoa Azul são exemplos de bairros e conjuntos onde os caramujos já surgiram.


 
 
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